O Mentor

“Quando pensei saber todas as respostas, a vida mudou todas as perguntas”.

Passei minha vida escolar lutando contra hipocrisias vindas de professores da época Pré-Cambriana. Discutindo tudo que achava que valia a pena. Questionando ideologias que nunca eram respondidas. Nunca satisfeita com o que recebia como resposta dos professores. Até que eu encontrei Ele.

Um ano foi suficiente para saber que ainda havia esperança. Para saber que havia ao menos uns poucos merecedores da minha esperança numa espécie corrupta e obscena por pequenos poderes.

Ele. A Exceção. Ele pedia para ser questionado, Ele podia ser questionado. Ele incentivava as perguntas. Ele é a agulha do palheiro.

E graças a uma piada minha ele me convidou para me unis às minhas “linhas inimigas”.

Meu mundo caiu. De tudo que eu já considerei fazer e ser, sempre fugi da ideia de ensinar, por medo de me corromper no prazer obsceno de pequenos prazeres. Mas isso foi antes. Antes de encontrar um modelo que pudesse seguir. Mas agora sei que é possível. Estou totalmente perdida na minha própria cabeça.

[…]

E aqui estou, no meio da selva de pedra, lutando contra demônios invisíveis que me atormentam os sonhos e me devoram viva.

Aqui estou eu, lutando contra impulsos selvagens de correr para o mais longe de mim mesma. Prestes a trair tudo em que acredito. Ou não?

Com os pés nas linhas inimigas, próximas daqueles que costumava enfrentar, tão próxima que até sinto o cheiro deles misturado à adrenalina no meu sangue.

Como uma espiã que não sabe por qual dos lados realmente luta.

Como um condenado vivendo em meio aos carrascos.

Vivendo… Ou será que estou sonhando?

[…]

E isso foi anos antes.

Áureo momento de minha vida em que tive esperança e me uni à causa.

Vi nele uma possibilidade. Segui seus passos. Hoje ele me olha e posso ver no fundo de seus olhos uma admiração. Meus sentimentos em partes são recíprocos. Vi nele uma possibilidade para fora da loucura da hipocrisia. Ele vê em mim uma possibilidade de continuação de si. Vê em mim um pouco dele e se orgulha. E sei ser real, pois, nos olhos daquela que ele ama quando direcionados a mim, há, sem sombra de duvida, um desagrado.  Desagrado típico de quem divide. Desagrado que por mim não é reciproco, porque entendo.

Pobre homem. Pobre de mim. Pobre de nós que lutamos juntos por tempos nessa selva fria de mentes engessadas. Pobre de mim que golpeada pelas costas, agora vago sozinha, sem rumo. Perdida a paixão pela luta diária nessa linha de fronte a qual um dia já foi minha inimiga, fui finalmente derrotada. Derrotada, não. Melhor dizendo, sacrificada. Sacrificada como um cão. Disfarço o golpe que me drena as forças. Ergo-me como se toda a luta estivesse vencida e luto sem causa. E o orgulho e a ternura que ele sente por mim… Oh Deus! Como doem! Escondo e omito minha dor, porque sei, nele doerá muito mais. Não doerá nele saber do sacrifício, doerá saber que seus passos não terão continuação. Eu desisti e me envergonho.

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