Cara amiga

Rafaela, cara amiga, lhe escrevo agora para confessar-me. Oh, companheira, pequei, trai àquele que amo! Tu entenderás e compreenderás meu pecado. Não pequei com a carne, pequei com a alma, que só torna pior minha falha.
Minha cara, naquele dia, via o mundo sob o prisma difuso da profunda enxaqueca, as cores, os sons, os cheiros eram dor.
Mas isso foi antes de ser atingida pela beleza divina que encontrei como que por acaso num momento que já tinha vivido antes, falando com quem já tinha falado antes, olhando para mãos que já tinha visto antes.
Uma veia grossa como um lápis seccionando uma mão firme, forte, viril. Uma veia que prendeu minha atenção de tal forma que era tão erótica quanto um par de veias da virilha de um homem nu e teso.
Eu observava a teia que nascia como um rio no meio dos músculos do antebraço daquele homem e seguia recortando o antebraço e a mão e se dividia em múltiplos afluentes pelo caminho desaguando na junção do anelar e o indicador.
Admirava a beleza pura e masculina daquela veia e imaginava o sangue que nela fluía como um vermelho puro e natural, tal qual do poente. Toda a magnitude da natureza pura naquela veia e seu sangue forte. E céus! Creio que por um segundo, vi a face dos deuses!
Mas tudo isso se foi, minha cara, nunca mais o verei. Ele partiu e levou aquela veia magnânima com ele.

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