O hippie

Subi as escadas do campus. Oitenta e cinco degraus que matam qualquer fumante, verdadeira tortura. Penso em mudar de universidade só para não subir mais essa escada.
Depois da escada tem uns bancos, me sento e acendo um cigarro. Observo o cara sentado na grama. Um hippie sujo: jeans surrado bege e sujo de grama, camiseta amassada, mochila rasgada, barba de revolucionário cubano, e o cabelo eu nem vou descrever. Ele me vê e se levanta: – Pode me ceder um cigarro?
– Claro, pega aí. – respondo passando o maço. Ele acende e devolve com um “valeu”.
Continuo olhando, se não soubesse que o lugar é propriedade privada, diria que era um mendigo, mas eu o conheço. Pergunto se ele está a fim de ir num showzinho de merda que vai ter na Vinte Três de Maio, ele diz que vai ver, se despede e vai para sala dele. Gente fina, esse aí.

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