Clube dos 27

Eu o conheci anos atrás, quando ele tinha 23 ou 24 anos, agora não me lembro. E, logo de cara, nos entendemos. Gostávamos das mesmas coisas: comédias inteligentes, poetas marginais, revoluções falidas, rock clássico, ídolos mortos aos 27 anos, jazz e por aí seguia.
De certa forma me apaixonei, e como poderia não me apaixonar? Havia encontrado o homem perfeito para mim, com seus gostos que se encaixavam como uma luva nos meus, com pensamentos que onde não eram iguais, eram complementares.
Comecei a gravar cada detalhe dele na memória: o sorriso doce, o riso descontrolado, as veias dançando nas mãos enquanto ele escrevia, o cabelo desarrumado, a barba por fazer, o hálito de café que se misturava à colônia barata.
Apesar das inúmeras semelhanças, algumas barreiras sociais me impediram de demonstrar o que sentia e por muito tempo segurei o desejo. Hoje ele fez 32, se casou há quatro anos e meio e mudou.
Ele já não fala de seus ídolos, já não lê como lia antes, já não vive com a mesma paixão, já não ama a própria profissão, anda dormindo cedo e diz que agora é mais caseiro.
O homem que eu amei já não existe mais. Ele morreu aos 27.

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