O Lagarto

Por incontáveis noites, embalei meu sono na suave voz de James. A sensualidade do timbre arrebatador dele sempre me acalmou e aconchegou. Cada palavra dele me leva mais perto da essência poética e questionadora do meu amado.
Por mais uma noite, me deixei embalar pela voz e poesia de James. No meio da noite, acordei com ele ali, dividindo minha cama, dormindo, no esplendor de sua magreza.
Abracei seu corpo sonolento e senti o cheiro de whisky que seu hálito trazia e preenchia o ambiente. Passei meus dedos pelo ponto próximo à orelha, onde o cabelo se mistura à barba. Ele abriu os olhos azuis baços de sono alcoólico e sorriu para mim, da mesma maneira que ele sorria para a própria esposa. Ah, como eu invejo Patrícia.
James, com seus olhos de poeta vadio penetrando minha alma, disse mais uma vez que me amaria dia e noite. Pediu-me para nunca deixar que roubem meu coração. E, por sobre o barulho da estrada, exigiu que nunca deixasse que quebrem meu coração.
Voltei a dormir, envolvida pelo hálito de whisky de meu amado James. Acordei pela manhã, sozinha na minha cama. O quarto não tinha mais nenhum vestígio do aroma do hálito do meu Rei Lagarto. Só restava o cheiro do rum com limão e hortelã que eu havia tomado na noite anterior.
Peguei o celular e coloquei a música dele para tocar (mais uma vez, de incontáveis vezes) e ouvi Jim Morrison dizendo mais uma vez que amava aquela Carol que não sou eu, aquela Glória, a Patrícia, a garota de Los Angeles e tantas outras meninas que ele nem sabia o nome.

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