Um sonho

Sonhei como homem que tento esquecer a seis anos. Dói-me pensar no nome dele.

Sonhei que éramos contrapeso um do outro numa parede de escalada, com cordas nos prendendo pela cintura. Quando ele subia, eu ficava no chão esperando por ele. Quando eu subia, ele começava a descer. Se nos encontrávamos no meio, um estava muito cansado pela subida e o outro desejoso de estar no chão de novo.

Ficamos nisso por muito tempo. E, cada vez que um de nós chegávamos ao topo, a parede ficava mais alta e a corda não ficava mais longa. Em pouco tempo, estávamos ambos o tempo todo na parede. Aí ele desistiu.

Chegando no topo da parede pela última vez, ele se sentou no topo, se soltou da corda e foi embora pelo caminho que o topo da parede levava. Eu fiquei ali, me segurando nas pedras falsas da parede por um tempo, antes da partida dele me pegar de jeito e me tirar a coragem de terminar o que eu comecei.

Desci pela parede tão arrasada que acordei.

Passei o dia pensando no sonho. Eu não pensava nele há mais de um mês. Por que? Por que eu ainda penso nele? Por que mesmo depois de se passado seis anos?

– Porque é ele, fia. – me diz essa voz de preta velha dentro da minha cabeça. – Fia, é ele que vai com você quando a sua viagem começar.

Um pensamento sobre “Um sonho

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