Nada

– Você é uma idiota.

Essa parte de mim, que pensa direito, me diz com frequência.

– Você precisa mesmo elucidar o óbvio? – Responde a parte iludida de mim mesma. – Mas um dia pode ser que tudo dê certo.

– É mesmo? Como, no auge da sua covardia, você pretende fazer com que dê certo? Sentada aí, vendo tudo dar errado e se mantendo acreditando num futuro melhor? Você não é nada.

Eu olho para mim mesma. A parte desiludida que pensa direito acende um cigarro e me encara. A parte iludida olha para os próprios pés, pensando numa resposta para mim mesma.

– Mas é ele. É ele quem vai embora comigo. – Diz a iludida.

– Ah, é? E como isso vai acontecer, se nem contato vocês mantêm? Como, se vocês mal se conhecem?! Como se vocês não se falam a mais de um ano? Como, se a última vez que você viu ele, você estava tão puta que mal disse oi?

A iludida não sabia explicar.

– Você não é nada para ele. Ele não deve nem se lembrar do seu nome.

– Você está errada! – A iludida não podia mais ficar calada. – Você sabe tão bem quanto eu que ele não vai se esquecer. Ele não pode esquecer. Eu sou alguma coisa na história dele. Até onde eu sei, ele pode muito bem estar tendo a mesma conversa com ele mesmo. Você se lembra perfeitamente bem, que nos últimos tempos, ele não era ele mesmo.

– Pode ser. E também pode ser que essa memória de você seja parte do ele antigo. Esse ele de hoje se esqueceu de você.

– Pode ser. Eu não tenho como ter certeza.

– E isso vai me consumir.

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