Corvo – ode ao desemprego

Deitada entre as cobertas, renego a verdade. E das janelas abertas, a ave entra para ver a fatalidade.

Penso no desemprego que está por vir e me aconchego sem dormir.

Nunca mais. Nunca mais.

Na dor de uma doença terminal, olho para a ave no umbral. O corvo me observa como um chacal.

Nunca mais. A ave olha meus olhos gris e me diz que nunca mais. Ah, nunca mais.

Me senti ignorante e me lembrei de cada dia sufocante sabendo que meu fim chegaria a qualquer instante.

Com movimentos sobrenaturais, o corvo se aproximou e repetiu que nunca mais. Nunca mais. Nunca mais.

Penso que meu fim não deveria ser assim. Vender um rim talvez não fosse tão ruim.

Um pensamento sobre “Corvo – ode ao desemprego

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