Segurança

Era junho. Fui conhecer Camila e descobri que teria que falar com André, que naquela manhã, como em todas as manhãs, estava meia hora atrasado.

André estava meia hora atrasado e eu meia hora adiantada. Esperei quase uma hora sentada em um sofá velho.

Quando André finalmente chegou, fiquei embasbacada com o homem que havia parado na minha frente. Ele me ofereceu um café, meio ofegante, ainda com a mochila nas costas. Eu aceitei e ele me perguntou se queria com açúcar. Disse que queria puro, ele entendeu que queria pouco e me serviu uma xícara com pouco açúcar. Explicado o erro, ele sorriu com toda a simpatia inerente ao interior do país.

Conversamos por cerca de meia hora. Foi cerca de meia hora que passei olhando para os olhos escuros mais profundos que já tinha visto. Trinta minutos olhando para as veias das mãos desse homem que exala charme. Mil e oitocentos segundos admirando como a estrutura do queixo largo combinava com o lábio inferior espesso.

Não me lembro de uma palavra que disse naquele dia. Só me lembro de André me olhando por sobre as sobrancelhas espessas. O olhar particularmente profundo, que depois descobri, é característico dele.

Naquele olhar senti a segurança que precisava. Nos olhos daquele homem de barba cerrada, senti que algo estava para mudar na minha vida.

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