Tony

Anthony era um perdido na vida. Filho de pais ausentes, Tony passou a maior parte da infância e adolescência na rua. O garoto bebia, se meteu com drogas, vivia brigando, mas o seu maior problema sempre foram as mulheres.

Tony desejava qualquer mulher que o olhasse. Ele mesmo acreditava que isso acontecia porque nunca teve o amor de sua mãe. Apesar de esperto e suficientemente forte, o garoto nunca foi melhor em nada e ninguém nunca desperdício atenção com ele.

Dizem que os filhos mais velhos são os favoritos, mas Tony era uma exceção. Toda essa merda fez dele meio durão e meio carente. Daquele tipo que parece não se importar com nada, mas se prende a qualquer merdinha que conseguir.

Tony se cansava da vida nas ruas. Essa vida de mulheres que vem e vão fácil acabava com ele. O garoto se sentia como o ultimo panda na China.

Um dia, ele conheceu essa garota. E, cara, que garota! Era diferente de todas as putinhas que já haviam cruzado o caminho de Tony. Ele sentia que Alice era especial. O idiota se apaixonou perdidamente pela menina.

Por ela, saiu das drogas e parou de beber. Só manteve os cigarros, porque nem só de pão vive o homem.

Foram morar juntos e tudo parecia maravilhoso. Ele tinha um bom emprego, cachorros, roupas limpas e uma sapateira. O garoto achava mesmo que tudo daria certo.

Um dia, chegando em casa, Tony viu Alice de conversa fiada com o vizinho. Cara, aquilo pegou ele pelos colhões. Naquele dia, ele deu a primeira surra em Alice.

Ele nunca tinha batido em ninguém sóbrio antes. Nem em homens, nem em mulheres. Ele se sentiu um merda e Alice, com dois dentes quebrados, o perdoou.

As brigas continuaram e foram piorando.  E ela sempre perdoava. Dizia que ele não fazia por mal, era culpa dos anos de malandragem, era a cachaça na cabeça, era a abstinência das drogas falando.

A coisa foi piorando, num certo ponto, Alice já tinha vários dentes quebrados, lhe faltava um incisivo e uma costela estava trincada. Tony se sentia sufocado.

Na última briga, Tony jogou Alice da escada e não ficou para saber se ela estaria viva.

O garoto juntou seus trapos e voltou para a casa de pensão onde viveu tantos anos. Voltou a beber, voltou às drogas. E se sentiu finalmente bem com a vida que levava. Afinal, você pode tirar um imbecil da rua, mas não pode mudar o fato de que ele é um imbecil.

Alice sobreviveu à queda. Tinha as pernas quebradas, mas tudo bem. Depois de um tempo, arranjou outro homem. Não era um bom homem, mas nunca bateu nela.

E isso é uma porra de um final feliz.

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